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TCE e Neuropsicologia

Por Thaís Landenberger

O Traumatismo Cranioencefálico (TCE) é todo o tipo de lesão intracraniana ocasionada por uma força externa capaz de provocar danos na estrutura e no funcionamento do cérebro. Eles são classificados de acordo com o grau de severidade (leve, moderado e grave) considerando fatores como o tipo, a extensão e a localização da lesão. Atualmente, os acidentes automobilísticos estão entre as principais causas de TCE atingindo principalmente jovens adultos entre 15 e 24 anos, período em que as perdas pessoais e sociais são ainda mais impactantes.

Aqueles que sobrevivem a um TCE podem ficar com sequelas motoras, sensoriais, cognitivas, emocionais e/ou comportamentais, os quais geram grande impacto na vida do indivíduo, no contexto familiar e nas suas relações com a sociedade. Desde os sobreviventes de guerra, aumentam os estudos científicos na área, e a literatura aponta alguns fatores importantes a fim de minimizar os danos e favorecer o processo de reabilitação.

Sabe-se, por exemplo, que nos primeiros meses (até aproximadamente 2 anos após a lesão) o cérebro está no seu auge da sua recuperação e plasticidade. Dessa forma, o cuidado e estimulações especializados, precoces e abrangente (se possível ainda em condição de internação) melhoram de forma significativa tanto o funcionamento desse indivíduo no momento da alta hospitalar, como posteriormente na reintegração às suas atividades de vida diária e à comunidade.

Após a alta, os estímulos devem ser mantidos, ou ainda, intensificados sob orientação de um profissional especializado. Os estudos indicam que fatores como o esclarecimento e o acesso a informações relacionadas aos danos da lesão e sua condição neurocognitiva, o envolvimento em atividade laborais ou outras atividades produtivas, bem como a manutenção do convívio social resultam em uma melhor percepção de qualidade de vida dos indivíduos após o TCE. Paralelo a isso, o suporte aos cuidadores e o seu treinamento qualificado também têm um impacto significativamente positivo, promovendo estratégias mais eficazes de manejo e estimulação nas demandas diárias de cuidado.

A neuropsicologia, nesse sentido, agregando conhecimentos da psicologia e da neurologia, visa contribuir nesses casos em que há a alteração do funcionamento cognitivo e comportamental. No contexto do TCE, a avaliação e o acompanhamento neuropsicológicos cooperam para: 1) descrever o perfil cognitivo atual e ao longo do tempo e/ou intervenção (funções preservadas e prejudicadas), 2) auxiliar os profissionais envolvidos na conduta terapêutica e medicamentosa, 3) orientar familiares e cuidadores quanto ao quadro e a manejos efetivos de cuidado, 4) direcionar a terapêutica e estabelecer metas e estratégias de intervenção neuropsicológica voltadas ao paciente e/ou ao ambiente ao qual ele está inserido.

 

Gaudêncio, T. G., & Leão, G. de M. (2013). A epidemiologia do Traumatismo Crânio-Encefálico: Um Levantamento bibliográfico no Brasil. Revista Neurociências, 21(3), 427–434.

Hodge, C. J. (2005). Neurologia: trauma craniano. In Cecil, Tratado de Medicina Interna editado por Lee Goldman, Dennis Ausiello. Rio de Janeiro: Elsevier.

Janet P NiemeierLori M Grafton, and Tara Chilakamarri (2015). Treating persons with traumatic brain injury: history and updates. North Carolina medical journal 76(2), 105 -110.

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