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As Funções Cognitivas por trás da Tomada de Decisão

  Por Juciclara Rinaldi e Juliana Miranda

            A tomada de decisão sob o aspecto dos processos cognitivos foi dividida por Schwenk (1988) e Kahneman (2011) em vários tipos de estratégias. A lembrança de situação passados como previsão de nova ocorrência futura é uma delas. Neste sentido, ressalta Schwenk (1988), que há a avaliação exacerbada do decisor sob seu controle em relação a ocorrência de um evento, o qual busca somente as informações que venham ao encontro de seu ponto de vista. Havendo, obviamente, muitos outros vieses que fazem com que os acontecimentos prévios influenciem cognitivamente a criação de estratégias para uma tomada de decisão

            Há a influência do humor e das emoções, segundo Schwarz e Skurnik (2003), os quais podem facilitar ou inibir a tomada de decisão. Os sentimentos geram uma mudança no procedimento de solucionar problemas. Tomar decisões é um processo que, muitas vezes, já está automatizado na nossa rotina. Diariamente fazemos isso, tomando decisões das mais simples às mais complexas: escolher o que comer de almoço, trocar de carro, comprar uma casa, ir ou não à academia, ter filhos ou não, votar em um candidato, escolher um filme para ver, etc. Enfim, são inúmeros os cenários possíveis em que somos compelidos a tomar uma decisão ou fazer uma escolha.

            Na Neuropsicologia, a Tomada de Decisão é definida como um processo cognitivo empregado na escolha entre duas ou mais alternativas concorrentes, incluindo a avaliação de custo e benefício de cada opção, bem como suas consequências a curto, médio e longo prazo. Para que isso aconteça, inúmeras funções cognitivas participam deste processo, mesmo para decisões mais simples. Quanto mais complexa for a decisão a ser tomada, ainda mais importante será o recrutamento plenamente consciente dessas funções cognitivas. Ou seja, ter certeza de que foram analisadas todas as alternativas, seus prós e contras, bem como suas consequências. Conforme já mencionado o estado de ânimo (humor positivo ou negativo) no dia poderá influenciar a forma como vemos e analisamos as situações.

            Além da mediação de nossas funções cognitivas, nossas decisões são constantemente influenciadas por fatores individuais (crenças, valores, experiências prévias, personalidade, idade, gênero, etc), bem como por fatores contextuais (tipo de decisão, influências de grupo, etc). Esses aspectos vão variar a cada indivíduo, por isso muitas vezes vemos pessoas tomarem decisões completamente diferentes para demandas semelhantes.

            Por exemplo, a tomada de decisão sobre em que podemos votar nas eleições de 2018; todos precisam fazer a mesma escolha: votar em candidatos para presidente, governador, senador e deputados. Mas nem todos assumem um mesmo posicionamento, o que evidencia a influência dos aspectos subjetivos de cada eleitor. A representação e o reconhecimento do problema diferem de pessoa para pessoa, pois cada indivíduo tem sua visão do que é o “mundo real”. Há uma diversidade sobre esta visão devido À especificidade do indivíduo na interpretação da realidade.

Alternativas e Informações Disponíveis: o conhecimento das alternativas disponíveis é passo essencial numa tomada de decisão. Diferentes alternativas pressupõem diferentes possibilidades e, portanto, consequências distintas. Dessa forma, para tomar uma decisão é preciso conhecer cada opção, reunindo o máximo de informações verídicas possíveis.

Raciocínio Crítico: juntamente com a série de informações coletadas sobre cada alternativa disponível, o raciocínio crítico auxilia na avaliação de custo e benefício de cada opção.  Os critérios estabelecidos para isso variam para cada pessoa, no entanto, é um processo importante para uma tomada de decisão, uma vez que possibilita balancear se há mais aspectos positivos ou negativos existentes em cada alternativa.

Memória e Aprendizagem: a memória exerce papel fundamental na tomada de decisão, porque experiências e aprendizagens prévias influenciam diretamente a escolha que fazemos. Dessa forma, levar em consideração decisões semelhantes tomadas previamente e as suas consequências é essencial para que uma escolha mais adequada seja feita.

            Tomar uma decisão, portanto, é um processo influenciado por inúmeros aspectos e estratégias, que recruta diversas funções cognitivas, além de ser estritamente individualizado e pessoal.

 

Referências:

Kahneman, D. (2011). Thinking, fast and slow. New York: Farrar, Straus and Giroux.

Kluwe-Schiavon, B., Sanvicente-Vieira, B.,  Grassi-Oliveira, R. (2018). Julgamento e tomada de decisão. In L.F. Malloy-Diniz, D. Fuentes, P. Mattos e N. Abreu (orgs.) Avaliação Neuropsicológica. (pp.148-157). Porto Alegre: Artmed.

Schwaz, N., & Skurnik, I. (2003). Feeling and thinking: implications for problem solving. In J.E. Davidson, R.J. Sternberg (eds.),  The psychology of problem solving. (pp. 263-290). Cambridge: Cambridge University Press.

Schwenk, C. R. (1988). The essence of strategic decision making. New York: Lexington Books.

Sternberg, R.J. (2008) Julgamento e tomada de decisão. In R.J. Sternberg (ed.), Psicologia Cognitiva. (pp. 408-448). São Paulo: Artmed.

 

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