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Envelhecimento Bem-Sucedido

 

Quem é idoso? Pela definição da Organização Mundial de Saúde (OMS) idoso é aquele que nos países desenvolvidos tenha 65 anos ou mais; e nos países em desenvolvimento (Brasil), 60 anos ou mais de idade.

O senso comum: O conceito de velhice, para o senso comum, está embasado em perdas, solidão, tristeza, insatisfação. Porém, com a nova realidade da terceira idade, onde já encontramos extratificação de idade (60-70 anos; 70-80 anos, etc.) devido ao período mais estendido dessa faixa etária, viver anos a mais requer adaptação e aprendizagem. Envelhecer inclui transformações nos aspectos biológico, psicológico, social e espiritual. As características pessoais precisam ser levadas em consideração, como sexo, temperamento, a personalidade, a genética, os relacionamentos com familiares e amigos, aspectos sociais e econômicos, interação com ambiente.

Conceitos que auxiliam: O conceito de resiliência é a capacidade de algo retornar ao estado inicial quando a pressão imposta é retirada. Ao transpormos o conceito para o ser humano percebe-se que todos nós, em maior ou menor grau, possuímos esta capacidade de responder com flexibilidade e recuperação a desafios e circunstâncias desfavoráveis. Com o passar do tempo, essa capacidade vai se tornando importante, e na fase da velhice ela é quase que uma plasticidade, que traria o idoso para níveis adaptativos que lhe daria satisfação de vida. O conceito de auto-percepção positiva, ou seja, o idoso ao perceber sua trajetória de vida como satisfatória, tende a viver mais e melhor que os com baixa auto-percepção (5). Em estudos realizados, em que houve controle das variáveis como idade, gênero, estado socioeconômico, solidão e saúde funcional, a vantagem da visão positiva se manteve. Ademais, foi constatado que este efeito é mediado parcialmente pelo desejo de viver.

Envelhecimento Bem-Sucedido: A definição de envelhecimento bem-sucedido tem variado de acordo com a visão dos pesquisadores. O enfoque pode ser sobre a compreensão da morbidade; felicidade e satisfação de vida; ausência de doença. Esse último, diz que envelhecer com sucesso necessita de uma combinação de três componentes: (a) ausência de doença grave, (b) bom desempenho físico e cognitivo, e (c) envolvimento ativo com a vida (1,2). Contudo, com o passar dos anos surgiram discussões sobre o conceito de envelhecimento bem-sucedido, devido aos critérios difíceis de serem preenchidos pelos idosos para alcançar a classificação imposta (3).

O estilo de vida, que engloba construtos como apoio social (4), rede social (6), atividades sociais e prazerosas (7,8), exercícios físicos e atividades de esportes, parecem apoiar uma associação positiva com o desempenho das funções cognitivas (9). Em alguns estudos há medidas combinadas para rede social, apoio social, status marital, e atividades sociais. Geralmente é aceito que a participação em atividades complexas é benéfica para manter as habilidades cognitivas (10-16).

Alterações do espectro do humor, depressão, podem fazer com que o idoso superestime suas incapacidades.  Atitudes de natureza preventiva são capazes de evitar ou postergar a incapacidade, fazendo o idoso manter um bom padrão funcional em idades avançadas. As ações preventivas são divididas em: (a) Primárias: aquelas que evitam o aparecimento de doenças; (b) Secundárias: diagnóstico precoce de doenças; (c) Terciárias: que evitam a piora funcional uma vez a doença já instalada.                      

Precauções importantes ao longo da vida: Evite fumo; Controle a pressão arterial; Mantenha níveis de colesterol adequados; Controle seu peso; Pratique exercícios físicos regulares; Se beber bebidas alcoólicas que seja moderadamente; Tenha uma dieta equilibrada; Avalie sua audição e visão; Cuide com a exposição solar; Previna o diabete melito; Realize vacinação anual; Mantenha relações sociais; Realize atividades intelectuais e culturais ; Evite o estresse; Tenho uma Religião como apoio.

 

Por Juciclara Rinaldi 

 

Referência:

1 Rowe, J.W., Kahn, R.L. (1987). Human Aging: usual and successful. Science,. 237( 4811) , pp.143-149,  doi: 10.1126/science.3299702.

2 Rowe, J.W., Kahn, R.L. (1997). Successful Aging. The Gerontological, 37 (4): 433-440. doi: 10.1093/geront/37.4.433.

3 McLaughlin, S.J., Connell, C.M., Heeringa, S.G., Li, L.W., Roberts, J.S. (2010).  Successful Aging in the United States: Prevalence Estimates From a National Sample of Older Adults.  Journal of Gerontology: Social Sciences, 65B(2), 216–226, doi:10.1093/geronb/gbp101. Advance Access publication on December 14, 2009.

4 Bassuk S.S.; Glass T.A.; Berkman L.F.(1999). Social disengagement and incident cognitive decline in community-dwelling elderly persons. Ann Intern Méd,131, 165–73.

5 Levy B.R.; Slade M.D.; Kunkel S.R.; Kasl S.V. (2002). Longevity Increased by Positive Self-Perceptions of Aging. Journal of Personality and Social Psychology, 83(2), 261–270.

6 Stevens F.C.J; Kaplan C.D.; Ponds R.W.H.M; et al. (1999). How ageing and social factors affect memory. Age Ageing, 28, 379–84.

7 Elwood P.C.; Gallacher J.E.J.; Hopkinson C.A.; et al. (1999).  Smoking, drinking, and other life style factors and cognitive function in men in the Caerphilly cohort. J Epidemiol Community Health, 53, 9–14.

8 Richards M.; Hardy R.; Wadsworth M.E.J. (2003). Does active leisure protect cognition? Evidence from a national birth cohort. Soc Sci Med, 56, 785–92.

9 Alves R.V.; Mota J.; Costa M.C.; Alves J.G.B. (2004). Aptidão física relacionada à saúde de idosos: influência da hidroginástica. Rev Bras Med Esporte, 10(1), 31-37.

10 Schaie K.W. (1996). Intellectual development in adulthood: the Seattle longitudinal study. New York: Cambridge University Press.

11 Schooler C. (1987). Psychological effects of complex environments during the lifespan: a review and theory. In: Schooler C, Schaie KW, eds. Cognitive functioning and social structure over the life course. Norwood, NJ: Albex, 24–49.

12 Bassuk S.S.; Glass T.A.; Berkman L.F. (1999). Social disengagement and incident cognitive decline in community-dwelling elderly persons. Ann Intern Méd, 131, 65–73.

13 Verghese J.; Lipton R.B.; Katz M.J.; et al. (2003). Leisure activities and the risk of dementia in the elderly. N Engl J Méd, 348, 2508–16.

14 Glei D.A.; Landau D.A.; Goldman N.; Chuang Y-L.; Rodríguez G.; Weinsteinl M. (2005). Participating in social activities helps preserve cognitive function: an analysis of a longitudinal, population-based study of the elderly. International Journal of Epidemiology,34, 864–871.

15 Middleton L.E.; Mitnitski A.; Fallah N.; et al. (2008). Changes in cognition and mortality in relation to exercise in late life. PLoS One, 3(9), 3124.

16 Hakim A.A.; Petrovitch H.; Burchfiel C.M.; et al. (1998). Effects of walking on mortality among nonsmoking retired men. N Engl J Méd, 338(2), 94-99.

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