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Envelhecimento Cognitivo

Na visão da Gerontologia, envelhecer é um evento progressivo e multifatorial e a velhice uma experiência heterogênea. Ao redor do mundo, o envelhecimento populacional é uma realidade, sendo os principais motivos para esse processo o aumento da expectativa de vida e as baixas taxas de fertilidade. A projeção do número de pessoas acima dos 60 anos de idade, no mundo, até 2050, chega a 2,1 bilhões de pessoas, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU).

Na América Latina, observa-se desde a segunda metade do século XX um fenômeno semelhante ao ocorrido na Europa, porém, cabe ressaltar que o momento histórico no qual elas ocorreram é diverso. Na Europa, houve desenvolvimento social e aumento de renda; na América Latina, e particularmente no Brasil, houve uma urbanização sem alteração da distribuição de renda, com redução da mortalidade e, mais recentemente, diminuição da fecundidade e aumento da expectativa de vida.

O Brasil acompanha esse crescimento no número de idosos em sua população que, a partir de 2012, houve um acréscimo de 4,8 milhões de idosos. A projeção para 2020 é de que o Brasil será o sexto país do mundo em número de idosos. A expectativa de vida brasileira praticamente dobrou no século XX, tendo atingido no ano de 2017: 76 anos para o total da população; para a população masculina, atingiu 72,5 anos; e para a população feminina, 79,6 anos, segundo as tábuas completas de mortalidade por sexo e idade, projetada para o ano de 2017 no Brasil.

A transição epidemiológica ocorre em um agrupamento humano com a transferência do predomínio de doenças infecciosas de alta mortalidade materno-infantil, para o predomínio de doenças crônico-degenerativas.

Em virtude do aumento da frequência de doenças crônicas degenerativas, essas repercutem diretamente na capacidade funcional do idoso. A capacidade funcional é o potencial que o indivíduo possui para executar as tarefas do seu dia-a-dia, ela serve de indicador para medir o envelhecimento bem-sucedido e/ou padrão dos idosos.

Dentro do processo de envelhecimento cognitivo, uma das situações que aparecem com maior frequência é a queixa de problemas de memória. Neste ponto, salienta-se que muitas vezes o que parece ser um esquecimento, pode ser uma desatenção ou ainda uma lentificação no processamento da informação. O déficit de memória em si se deve à dificuldade de armazenar informações recentes, acessar essas informações, com prejuízo na recordação de nomes de pessoas de sua relação, entre outros. Porém, aspectos emocionais, sociais, laborais, clínicos dos idosos são potencialmente influenciados pelas falhas de memória efetivas ou pela percepção de uma diminuição no desempenho da função e vice-versa.

Por fim, salienta-se que as queixas a respeito do desempenho cognitivo devem ser investigadas como qualquer outra alteração de saúde. A avaliação neuropsicológica pode oferecer um panorama do desempenho das principais funções cognitivas, indicando em que nível se encontra o desempenho. Após a avaliação neuropsicológica é possível planejar a reabilitação cognitiva, quando necessário, para tratar os déficits.

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