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Musicoterapia na Doença de Parkinson (DP)

Musicoterapia na Doença de Parkinson (DP)

            A Doença de Parkinson (DP) é um transtorno neurológico degenerativo que envolve sintomas motores, como dificuldade e lentidão na iniciação e na execução dos movimentos, tremor e rigidez, bem como sintomas cognitivos e psicológicos. Estudos de musicoterapia e neurociência mostram que a música pode ajudar as pessoas com DP na regulação dos movimentos, dos comportamentos, das emoções, da comunicação e da cognição.

            A música, em particular o ritmo, promove a conexão dos sistemas motor e auditivo. Em particular, entre os vários modelos de musicoterapia, a Musicoterapia Neurológica (Neurologic Music Therapy – NMT) é voltada à reabilitação das funções sensoriais, cognitivas e motoras de pacientes neurológicos. Através de atividades de estimulação rítmica auditiva, a NMT pode promover a marcha, o equilíbrio, a coordenação e o controle postural de pessoas com DP. De fato, uma pulsação rítmica regular ajuda as pessoas com DP a se sincronizar ao estímulo auditivo, facilitando os movimentos e coordenação.

            Ainda, na NMT é possível utilizar técnicas de musicoterapia receptiva, através da escuta de músicas relaxantes, para reduzir os tremores e os movimentos involuntários, e favorecer o relaxamento e a regulação do ciclo sono-vigília. Além das dificuldades de movimentos, pessoas com DP podem ter problemas na fala. Nesse canto, atividades de canto podem ajudar os pacientes na sustentação da respiração e na articulação da fala. Além disso, a musicoterapia pode contribuir também na estimulação das funções cognitivas, frequentemente comprometidas na DP, como a memória, a atenção e as funções executivas.

            Por fim, é importante lembrar que a DP afeta também o humor dos pacientes, sendo uma frequente causa de ansiedade, depressão e isolamento social. Sessões de musicoterapia ativa, individuais e em grupo, podem favorecer a expressão, a autoestima, a regulação das emoções e a interação social, através de atividades de produção e improvisação instrumental, canto, dança e movimentos. A musicoterapia pode então contribuir a reduzir o isolamento social, a melhorar a execução das atividades de vida diária e a promover a qualidade de vida das pessoas com DP.

            A musicoterapia é um dos tratamentos oferecidos dentro do atendimento interdisciplinar da Bitácora, utilizado como um recurso de promoção e prevenção da saúde, estimulação, reabilitação e terapia para pessoas de todas as idades, em sessões individuais ou em grupo. Através de atividades de produção e improvisação instrumental, canto e dança, a musicoterapia pode favorecer a saúde e o bem-estar físico, cognitivo e psicológico de pacientes neurológicos.

 

Ambra Palazzi: musicoterapeuta, ama cantar e utilizar a música como recurso de expressão, interação e estimulação com pessoas de todas as idades, desde bebês até a terceira idade.

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