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Os sintomas neuropsiquiátricos no Alzheimer

 Por Sergio Duarte Junior

O envelhecimento humano pode ser compreendido como um processo pelo qual adultos adquirem vulnerabilidade aumentada para a ocorrência de declínio no desempenho de tarefas de vida diária e no aparecimento de doenças. Ao longo desse processo, parte dos indivíduos se torna mais frágil, ou seja, sua reserva homeostática diminui e seus sistemas tornam-se menos capazes de adaptar-se a situações adversas. Os quadros clínicos neurológicos degenerativos assumem um déficit progressivo nas atividades de vida diária e uma multiplicidade de alterações cognitivas, comportamentais e psicológicas podem comprometer a qualidade de vida ao envelhecer.

Dentre as habilidades cognitivas que podem ser observadas como deficitárias encontra-se a possibilidade de aprendizagem de novas informações, dificuldades na evocação de material remoto ou recente, nomeação, compreensão auditiva, deterioração nas capacidades construtivas e visuoespaciais, cálculo, abstração e julgamento. Por outro lado, algumas alterações no comportamento também podem ser identificadas, no curso da doença.

Os sintomas neuropsiquiátricos são comuns na Demência Tipo Alzheimer (DA), afetando grande parte dos pacientes durante o curso da doença, sendo a causa primária de sobrecarga para os responsáveis. Alterações na personalidade, apatia, delírios, alucinações, agitação, alterações no humor, ansiedade, euforia, desinibição, irritabilidade, comportamento motor aberrante, comportamentos noturnos, alterações alimentares e síndrome de Klüver-Bucy podem estar associados a DA. A alteração da personalidade mais comum é a passividade ou isolamento, com diminuição de responsividade emocional e de iniciativa. É possível identificar a ocorrência de comportamentos resistentes e desinibidos. Podem ser emocionalmente rudes, lábeis, insensíveis, impulsivos, excitáveis ou irracionais.

Avaliar as alterações neuropsiquiátricas envolvidas no curso da DA necessita de técnicas que possam informar o status do funcionamento cognitivo e emocional do paciente. A avaliação clínica deverá compreender tanto os fatores orgânicos (cérebro e os demais sistemas do corpo) como o processamento cognitivo, emocional e comportamental do paciente. As observações trazidas pela família são de grande valia para auxiliar na avaliação e diagnóstico.

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