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Quem canta seus males espanta: efeitos terapêuticos do canto

           

Quem canta seus males espanta.

Evidências científicas mostram que este é muito mais do que um simples ditado popular.

            De fato, recentes pesquisas destacam que cantar é uma atividade multimodal, que permite uma integração de várias regiões cerebrais e de processos auditivos, sensoriais, motoros e cognitivos. Cantar pode então produzir no indivíduo diversos efeitos fisiológicos, cognitivos, comportamentais e emocionais.

            No ato de cantar, precisamos respirar de forma regular e controlada a fim de sustentar o som. Por isso, o canto pode ajudar a resolver dificuldades na respiração, na articulação e na ressonância, além de fortalecer o sistema muscular envolvido na respiração. Por exemplo, o estudo brasileiro de Bonilha e colegas (2009) mostrou que cantar é eficaz em favorecer as funções pulmonares em pessoas com doenças pulmonares crônicas. Após 24 sessões de canto de apenas 10 minutos, os pacientes mostraram uma maior capacidade de inspiração, bem como uma maior pressão de expiração.

            Ainda, cantar ajuda a promover o humor, fortalecer o sistema imunológico e reduzir o estresse. De fato, o estudo de Kreutz e colegas (2005) mostrou que o canto coral aumenta a quantidade do anticorpo Imunoglobulina A (IgA) nas secreções, aumenta a percepção de afetos positivos, diminui os afetos negativos, e reduz os níveis de cortisol salivar.

            Cantar ajuda também a promover a fluência da fala, sendo uma técnica eficaz para o tratamento da afasia, transtorno adquirido da linguagem consequente de uma lesão cerebral, bem como nas dificuldades de comunicação envolvidas na doença de Parkinson. Nesse caso atividades corais ou intervenções envolvendo canto ajudam a promover a articulação, uma maior intensidade vocal e uma maior inteligibilidade da fala.

            Ainda, além de ser uma técnica utilizada no tratamento da linguagem e da comunicação nos transtornos neurológicos, cantar pode favorecer o relaxamento, aliviar a dor e diminuir a ansiedade em crianças e adultos internados com diversas condições clínicas, tornando-se uma potente terapia não-farmacológica.

            Na Bitácora atividades vocais e canto são técnicas frequentemente utilizadas dentro das sessões de musicoterapia, tanto individualmente quanto em grupo, a fim de favorecer estimulação, comunicação e humor de pessoas de todas as idades.

           

Ambra Palazzi: musicoterapeuta, ama cantar e utilizar a música como recurso de expressão, interação e estimulação com pessoas de todas as idades, desde bebês até a terceira idade.

 

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