Orientação

Acidente Vascular Cerebral

 

Por Juciclara Rinaldi (psicóloga) e Jaqueline de C. Rodrigues (psicóloga)

 

O Acidente Vascular Cerebral (AVC) é uma das mais frequentes doenças neurológicas, com sinais e sintomas usualmente focais e agudos. O AVC pode ocorrrer por alteração no vaso sanguíneo, como lesão na parede do vaso, alteração da permeabilidade vascular, interrupção do fluxo sanguíneo, ruptura do vaso ou alteração da viscosidade do sangue circulante. A vascularização do cérebro possui características anatômicas e fisiológicas desenhadas para proteger o cérebro de comprometimentos circulatórios. Assim, quando esses mecanismos protetores falham o resultado é um AVC.

Consequências do AVC

O AVC pode trazer diferentes consequências, dependendo do tipo de lesão, da extensão e da sua localização. A reabilitação do paciente deve envolver a equipe de saúde (neurologista, fisioterapeuta, neuropsicólogo, fonoaudiólogo), a família e o ambiente.

Paralisias: geralmente, a área mais afetada é a região irrigada pela artéria cerebral média. Por isso, uma das consequências mais comuns é a paralisia desproporcional do lado contrário do corpo.

Déficit Sensitivo: a falta de sensibilidade causa uma sensação de anestesia parcial ou total do segmento do corpo afetado, e pode vir acompanhada ou não de dor.

Afasias: para grande parte da população o hemisfério cerebral esquerdo é onde se localiza o centro da linguagem. Por isso, é comum ao paciente que tem AVC do lado esquerdo do cérebro apresentar um déficit de linguagem, chamado afasia. Esse problema de linguagem pode afetar a comunicação entre as pessoas, pois o paciente tem dificuldades para falar (afasia de expressão), para compreender o que os outros falam (afasia de compreensão), ou apresentar essas duas dificuldades simultaneamente (afasia mista).

Apraxias: a pessoa perde a capacidade de se expressar por gestos e mímicas. Os tipos de apraxias mais comuns são: (a) Construtiva: dificuldade de montar um quebra-cabeça; (b) Ideomotora: dificuldade na expressão de gestos como dar tchau, sinal de silêncio; (c) Posicional/Espacial: dificuldade na localização espacial em si e/ou no outro, (direita / esquerda, mapas).

Negligência: ocorre, geralmente, em lesões do hemisfério cerebral direito. Caracteriza-se por uma falta de percepção dos objetos que estão no lado contralateral à lesão cerebral. A pessoa pode também negligenciar a metade de seu corpo, como se aquele segmento não lhe pertencesse.

Agnosia Visual: pode acontecer devido à lesão na parte posterior do cérebro (área de recepção da visão). O paciente não consegue reconhecer objetos visualmente, embora consiga enxergá-los. Ele enxerga, mas não vê.

Déficit de Memória: os pacientes, geralmente, se queixam de dificuldades para lembrar de informações novas ou de situações do cotidiano, mas se lembram de situações passadas, ou fatos importantes que aconteceram em suas vidas.

Alterações Comportamentais: dependendo do local e da extensão da lesão, o paciente pode apresentar apatia (parecendo estar indiferente ao que acontece à sua volta) ou de agitação. Em quadros de falta de iniciativa, podem ficar sem apetite e sem vontade de beber água. Nos de agitação, tendem a ficar sem crítica social.

Depressão: uma vez que muitos pacientes perdem a capacidade de se comunicar, tem dificuldade para mover pernas e braços, ou apresentam alterações na memória, é muito frequente eles manifestarem sintomas de depressão. Isso pode ser observado quando eles ficam mais isolados, perdem a vontade de sair e  fazer coisas novas, podendo até mesmo chorar com frequência.

 

 

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