Orientação

Demência de Tipo Alzheimer


Por Juciclara Rinaldi (psicóloga)

A pessoa com diagnóstico de Demência de Tipo Alzheimer (DA) apresenta dificuldades cognitivas que afetam, de forma significativa, o desempenho nas atividades cotidianas. A DA se caracteriza por um declínio das funções cerebrais, causado pelo envelhecimento ao longo do tempo, devido à morte das células cerebrais. De maneira geral, ocorre perda da memória, e posteriormente as demais funções cognitivas começam a apresentar declínio em seu desempenho. O início da DA é insidioso e progressivo, ocorrendo entre os 40 e os 90 anos de idade, sendo mais freqüente após os 65 anos. A DA pode ser classificada como: (1) Demência de Alzheimer provável, quando não existem outras doenças que influenciam essa condição; (2) Demência de Alzheimer possível, quando está associada a uma condição que contribui para o prejuízo cognitivo; e (3) Demência de Alzheimer definitiva é diagnosticada através do critério clínico e de evidências histopatológicas, fornecidas pela biopsia ou autopsia.


O diagnóstico da Demência de Alzheimer é permitido quando ocorre declínio cognitivo progressivo, em duas ou mais área da cognição, juntamente com declínio no funcionamento social ou atividades da vida diária. Apesar de haver uma grande variabilidade de sintomatologia da demência entre indivíduos e de não afetar da mesma forma as funções cognitivas de um paciente, existe uma progressão do declínio cognitivo, em que nos estágios iniciais, encontram-se dificuldades de memória, posteriormente, ocorrem falhas na solução de problemas, no raciocínio e na atenção sustentada. 
As mudanças que ocorrem no cérebro iniciam pelas células nervosas (placas senis), como conseqüência o cérebro não consegue funcionar como deveria. Ás áreas cerebrais afetadas tem relação com as funções mentais, como a memória e atenção; já funções, como os movimentos, não são geralmente afetadas até que a doença esteja bem adiantada.


Os sintomas aparecem lentamente, levando em torno de 10 anos para avançar do primeiro ao último estágio, porém pode ocorrer variações de tempo. No estágio inicial, a pessoa parece confusa e esquecida, podendo buscar palavras sem sucesso ou deixar pensamentos inacabados, com esquecimento de fatos e acontecimentos recentes; em contrapartida, lembra do passado distante. No estágio intermediário, é necessário auxiliar o paciente para executar tarefas rotineiras. Ele pode não reconhecer seus familiares, perder-se em locais que costuma freqüentar e esquecer como executar tarefas simples como vestir-se e tomar banho. Com relação ao comportamento e humor, pode tornar-se impaciente, mal-humorado e imprevisível. No estágio avançado, a pessoa perde completamente a memória, a capacidade de julgamento e o raciocínio, e é necessário ajudá-la em todos os aspectos do dia a dia.


Embora essa síndrome demencial não tenha cura até o momento, existem tratamentos farmacológicos e de intervenções cognitivas. O tratamento farmacológico, na DA vem avançando nos últimos anos através de medicamentos mais eficazes e menos tóxicos para os pacientes. Entretanto, não se tem um consenso quanto à continuidade do uso das drogas até o final da demência ou somente até o estágio moderado. O tratamento não-farmacológico - intervenção cognitiva - tem sido considerado apropriado para os pacientes com prejuízos cognitivos leves e moderados. Isso se deve à manutenção da capacidade de aprendizagem dos pacientes, e podendo estes se beneficiar de estratégias para compensar o declínio das habilidades.

Voltar