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A Ciência das Metas

Por Luis Filipe Schmidt

Planejar as atividades e modificar os hábitos diários simboliza um tipo de recomeço para muitas pessoas. Para organizarmos o futuro é preciso avaliar as decisões tomadas no passado e aprender com elas. Nesse momento, diversas coisas acontecem. Uma delas provavelmente é que você faça uma recapitulação do que aconteceu no último ano, incluindo as conquistas, os aprendizados, as dificuldades que você passou, ou seja, tudo aquilo que foi importante para você e que de alguma forma marcou sua rotina.
As estimativas indicam que, de modo geral, mais da metade das pessoas em fase adulta faz esse tipo de recapitulação. Criam-se nesse momento novas metas que, na maioria dos casos, são mantidas por poucos meses. Pesquisas mostram que menos de 10% das pessoas que se propõe a novos hábitos acaba por realmente incorporá-los a sua vida diária, e nesse texto discutiremos porque isso ocorre e o que podemos fazer diferente.
O primeiro ponto para discutirmos tem a ver com a ciência que embasa os nossos hábitos. Hábitos são comportamentos de rotina que, por serem feitos de forma repetida no nosso dia-a-dia, acabam por se tornar automáticos. Muitas das metas se encaixam nessa categoria. Ficar menos tempo no celular, gastar menos dinheiro ou mesmo evitar a procrastinação são alguns exemplos. Esses hábitos foram se criando no nosso desenvolvimento, provavelmente porque em algum momento tiveram sua função ali (muitas vezes ainda têm), mas que podem ser prejudiciais dependendo da intensidade e frequência que estão ocorrendo.
Assim, a primeira dica para mudança é: crie novos hábitos. Muitas das metas criadas são feitas a partir de um viés negativo. “Não vou mais comer doce”, “não vou mais passar tanto tempo no Facebook”. De forma geral, é mais eficiente iniciar uma nova atividade, ou substituir uma e já existente, do que tentarmos parar de fazer algo que já estamos habituados. Isso ocorre porque em nosso ambiente apresentam-se diversos gatilhos que nos guiam para os comportamentos automáticos. Por exemplo, chegar em casa, ligar a TV e pegar um lanche na geladeira. Nessa situação, provavelmente ligar a televisão seja o gatilho para automaticamente ir à geladeira e pegar a primeira comida que vir na frente. Assim, mesmo identificando o padrão (o que já é uma grande vitória), parar de realizar esses passos tende a se tornar difícil porque, além de ser uma sequência já automatizada, a comida pode funcionar como uma recompensa do hábito. No entanto, se tentarmos tirar a comida, faremos por algumas semanas e provavelmente ficaremos desmotivados, com muita vontade de comer. Isso ocorre porque o gatilho (a TV) permanece ali. Substituindo o gatilho (trocar a TV por um banho) ou mesmo substituir o lanche por uma fruta que você goste muito, em uma política de redução de danos, já é um ótimo meio de implementar a mudança.
Assim, podemos resumir a mudança de hábitos em 3 pontos que poderão te auxiliar a ser mais eficiente nesse processo:
1) Seja realista: as mudanças escolhidas precisam ser possíveis e práticas ao mesmo tempo. Se você deseja ser mais atlético, começar correndo todos os dias durante o intervalo de almoço pode não ser a melhor das ideias. Comece caminhando 3 vezes por semana em um momento mais livre do dia, por exemplo.
2) Faça uma coisa por vez: se você quiser ser mais saudável, é mais fácil iniciar o plano da corrida 3 vezes por semana do que correr, fazer academia e parar de comer doce ao mesmo tempo. Dê tempo para o seu corpo se acostumar com um novo hábito e depois insira um segundo.
3) Faça metas com outras pessoas: Muitos dos nossos hábitos estão associados (através de gatilhos) a comportamentos que pessoas que convivem conosco também possuem. Assim, se a meta desejada for substituir o doce por uma fruta na sobremesa, por exemplo, engajar um parceiro nessa tarefa pode ser uma forma mais eficiente de alcançar esse objetivo, onde um incentiva o outro.
A mudança de hábitos é possível de forma que seu limite pessoal seja respeitado e cada etapa do processo seja consciente.

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